Timor Leste

A riqueza que advém dessa diversidade expressa-se nos costumes e tradições, músicas e danças, crenças e outras manifestações folclóricas, mitologias e lendas sobre o período pré-colonial e a evolução dos reinos. O enraizamento da cultura portuguesa começou em Timor com a Igreja Católica a partir de 1561.

Durante o período colonial, várias ordens missionárias, com a mesma irregularidade com que se manifestava o poder temporal — reflexo de intermitentes dependências (ora da India, de Malaca ou de Macau)1— foram expandindo o cristianismo, procurando ao mesmo tempo preservar as tradições culturais pré-cristãs, inclusive as religiosas, como o  "culto dos antepassados" e um vago monoteísmo centrado na figura de "Marômac"2 como ainda hoje se constata.Várias igrejas, seminários e escolas foram construídos, não só na meia ilha que é hoje Timor-Leste, mas em Kupan (Cupão, na metade ocidental), Lifao (no Oecussi), Larantuca (Flores) e em Solor onde aliás se instalaram os primeiros Dominicanos no ano de 15613.

À semelhança do que ocorreu noutras paragens,  ensinava-se um cristianismo ligado aos interesses do império português em espalhar pelos povos dominados a cultura portuguesa.Está em desenvolvimento um projecto de Museu e Centro Cultural de Timor-Leste, fundamental para a afirmação da identidade nacional de Timor-Leste, que deverá ficar pronto nos próximos anos.

Servirá para expor permanentemente as colecções geológica, arqueológica e etnográfica, e albergará as futuras Escolas de Artes e Música, de forma a que uma parte substancial da cultura viva, uma das grandes riquezas patrimoniais de Timor-Leste, possa ser preservada e desenvolvida.1 ROCHA, Nuno –  Timor – O Fim do Império. Lisboa: Editora Obipress, 1999,  p.942 Enciclopédia Verbo . Lisboa: Editorial Verbo, 1994. 17º Vol., p.1546.3 OLIVEIRA, Luna de – Timor na História de Portugal.  Lisboa: Fundação Oriente e Instituto Oriente, 2004. Vol. I, p.89.  

A Casa na Arquitectura Tradicional Timorense

A Casa na Arquitectura Tradicional Timorense apresenta em Timor Leste uma variedade de formas e de estruturas simbólicas que se encontram ainda, na sua maioria, por estudar"1. "Nas comunidades timorenses tradicionais, o sistema de parentesco e casamento forma uma base importante das estruturas sociais e políticas tradicionais. Os principais conceitos de parentesco formam-se através da ideia de um grupo de pessoas ligadas por laços de sangue, constituindo uma linhagem ou família, percebida e definida como constituindo uma "casa".

Os seus membros relacionam-se-lhe unilinearmente através dos ancestrais laços paternais ou maternais. Estes ancestrais foram os primeiros a estabelecer-se no local, muitas vezes, separando-se eles próprios de outro grupo no passado para estabelecerem uma nova "casa" que é representada de facto por uma edificação, a "uma lulik" (casa sagrada).

A casa expressa ideias sócio cósmicas.  Heranças e artefactos sagrados dos ancestrais são nela mantidos à guarda do último representante vivo da linhagem"2. "As casas (uma) distinguem-se dos celeiros (lako). As Lulik geralmente de porte monumental, exuberantemente decoradas ostentam traves e frisos esculpidos, colunas desafiando qualquer ordem corintia, de portas ricamente trabalhadas, são símbolos de linhagem e atributos de poder, santuários onde se abriga a memória de homens ilustres, onde se guardam relíquias e objectos sagrados, onde se celebra a genealogia da linhagem e se organizam os seus cultos"3.

Muitas destas estruturas imponentes foram dizimadas com a guerra e com a política indonésia de recolocação das pessoas em áreas mais controláveis (junto das estradas ou áreas mais baixas), ou ainda propositadamente incendiadas pelas milícias em 99. Mas as casas sagradas não foram totalmente eliminadas, desde os Quémaque de Marobo, aos Mambae da zona de Aileu e com os Tetum de Viqueque as Lulik tornaram-se um bastião da cultura e da identidade timorense.Os nossos programas dão-lhe a oportunidade de conhecer a par do que resta da arquitectura tradicional portuguesa alguns exemplares da arquitectura tradicional.

1. Lúcio Sousa — As casas e o mundo: identidade local e Nação no património material/imaterial de Timor-Leste

2. Tanja Hohe — The Clash of Paradigms: International Administration and Local Political Legitimacy in East Timor (2002)3 Centeno e Sousa (2001, 14)

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