Timor Leste

Esticando-se a todo o comprimento, numa espécie de espinha dorsal atravessada por variadas linhas de cumeadas paralelas, a cadeia montanhosa vai separando as planícies litorais do norte das vastas planícies litorais do sul, por montanhas onde pachorrentas estradas serpenteantes se vão desenrolando, revelando paisagens únicas a quem as percorre em qualquer direcção.

Timor integra o vasto grupo de ilhas que constituem o arquipélago de Lesser Sunda, cuja geologia resulta da combinação de dois arcos vulcânicos. Sendo uma das mais orientais forma em conjunto com as Ilhas Leti, Sermata, e Babar o arco exterior, formando as ilhas Wetar Romang Damar em conjunto com as Ilhas de Banda o arco interior.

As Ilhas Lesser Sunda constituem dois arquipélagos geologicamente distintos, o do norte e o do sul. O do norte, de origem vulcânica, incluindo as ilhas de Bali, Lombok, Sumbawa, Flores e Wetar, começou a ser formado durante o Plioceno, há cerca de 15 milhões de anos, em resultado da subducção e fusão parcial da placa tectónica australiana abaixo da placa euro-asiática; à excepção de Wetar, as ilhas do Arco Interno formaram-se a partir de vulcões que se fundiram com lava e sedimento. As ilhas do arquipélago sul, incluindo Sumba, Timor e Babar,  são não-vulcânicas e aparentam pertencer à placa australiana.

A geologia e ecologia das ilhas do arquipélago setentrional partilham as mesmas características, processos e história das meridionais ilhas Mollucas que estão no prolongamento natural do mesmo arco insular para oriente. As do sul onde Timor se inclui, pelo contrário, apresentam uma rocha basal idêntica à da margem continental real da placa australiana que não foi subductada. Estas ilhas exteriores têm menos de 4 milhões de anos e a geologia à superfície consiste em complexas rochas sedimentares e metafóricas derivadas de recife de coral sobre embasamentos rochosos complexos. (Monk et al 1997; Sani et al., 1995; Tim Charlton)

Timor é predominantemente constituída de sedimentos calcários e na sua maior parte montanhosa. A cordilheira do Ramelau de vales profundos e escarpas iminentes, onde os desfiladeiros e rios de leitos profundos cortam o centro do país, estende-se ao longo de um eixo com a orientação Sudoeste-Nordeste, tendo o seu ponto mais alto, no Foho Tatamailau, a 2.963 m de altitude, mais ou menos ao centro da metade ocidental de Timor-Leste, e alargando-se quase até à costa norte onde a planície costeira é mais estreita que a sul.

A precipitação é de 500 a 1.000 mm ano na costa norte e de 2.000 mm a sul. A água escorre das altas montanhas por numerosas ribeiras propensas a enchentes em períodos de chuvas fortes. Diversos córregos cortam-nas transversalmente, mas muitos deles são sazonais. Algumas correntes perenes correm para sul e para norte através das planícies costeiras.

São vinte e cinco os rios e ribeiras que nascem na cordilheira central. De fortes caudais torrenciais durante a estação das  chuvas, os seus níveis de água caiem fortemente nos meses secos. Os maiores são o rio Lois 50 Km (80 milhas) no norte, o mais comprido do país, e as ribeiras de Laklo, Karau Ulun e Tafara, todas a sul. O rio Tono atravessa o Oecussi. Há várias nascentes de água quente, as mais importantes ao longo do rio Marobo, perto da fronteira noroeste, e quedas d'água ocorrem em todo o país.

A leste de Lospalos, na maior planície, encontra-se o maior lago de Timor-Leste, o lago Ira Lalaro, um "Polje" com cerca de 100 Km2, que abriga um ecossistema de zona húmida, bastante interessante, do qual quase nada se sabe em termos científicos ... nas colinas e montanhas a norte, leste e sul do lago, existem grandes áreas de floresta tropical húmida relativamente bem preservadas.

Fazem-se planos para desenvolver nesta área uma Reserva da Biosfera.

(Sandlund et al. 2001, p. 11)

(Sandlund et al. 2001, p. 11)

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